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Cardiopatia, disfunção erétil e a relação com Pilates – BLOG PILATES FISIO FITNESS

Curso de Pilates SP
Pilates

Em Resumo você vai aprender Como o Pilates pode ajudar seus pacientes cardiopatas com disfunção erétil somente aqui no Blog de Pilates da Escola de Cursos de Pilates – The Pilates Fisio Fitness. Ótima Leitura e qualquer dúvida estamos a disposição nos canais de atendimentos da Escola de Pilates.

Pilates na Cardiopatia e Disfunção Erétil

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são as principais causas de óbitos no mundo. Têm gerado elevado número de mortes prematuras e perda de qualidade de vida. Alto grau de limitação nas atividades de trabalho e de lazer. Estas foram responsáveis por 36 milhões – ou 63,0% – de óbitos no mundo em 2008. Em destaque para as doenças do aparelho circulatório. No Brasil, como nos outros países, as DCNT constituem o problema de saúde de maior magnitude, sendo responsáveis por 72,0% das causas de óbitos. 31,3% destes óbitos são atribuídos as doenças do aparelho circulatório (DAC).

Dentre as DCNT, podemos destacar a disfunção erétil (DE). Definida como a incapacidade/ habilidade de completar ou manter uma ereção peniana adequada para a penetração vaginal. Tal Incapacidade não permite uma relação sexual satisfatória. Sabe-se que está intimamente relacionada com a saúde cardiovascular e metabólica.

A DE apresenta alta prevalência na população masculina. Afeta cerca de 10 a 20 milhões de homens nos EUA e em todo mundo mais de 100 milhões. No Brasil, pesquisa realizada com 2.862 indivíduos brasileiros maiores de 18 anos provenientes de todas as regiões demonstrou que 45,1% apresentaram disfunção erétil (31,2% grau mínimo, 12,2% moderado e 1,7% completa).

A disfunção erétil

Está associada aos fatores de risco cardiovasculares e a doença cardiovascular preexistente. Configurando-se como um marcador precoce de DVC. Neste contexto, os problemas cardíacos estão entre os fatores que mais atingem o funcionamento sexual. Estima-se que após o diagnóstico de doença cardiovascular ou procedimento intervencionista apenas 25% dos pacientes retornam à vida sexual normal. Metade retorna com algum grau de redução em frequência e/ou intensidade.

Embora as equipes de saúde habitualmente não discutam sobre a sexualidade, por considerarem o tema íntimo e privado. Partes dos pacientes após avento cardiovascular permanecem com interesse em manter a vida sexual ativa. Reconhecida a importância da saúde sexual para as relações afetivas e como parte da saúde e bem-estar destes indivíduos. AS orientações sexuais são tão relevantes quanto as questões de atividades diárias.

Riscos Cardiovasculares

O risco de evento cardiovascular durante a atividade sexual é significativamente inferior naqueles indivíduos cardiopatas que realizam atividade física regular. Quanto maior regularidade de atividade física, menor predisposição para infarto agudo do miocárdio. Ao mesmo tempo, evidências bem estabelecidas demonstram os benefícios do exercício aeróbico na função endotelial, aptidão e função cardiorrespiratória, capacidade funcional, qualidade de vida, dentre outros, nos portadores de DC. Ao mesmo tempo têm demonstrado melhora relevante na função sexual nesta população.

O método Pilates

É considerado uma excelente forma de se exercitar fisicamente tendo como vantagem a utilização de exercícios com poucas repetições. Aulas diversificadas e evitando exaustão. Sabe-se que as formas convencionais de exercício físico parecem ser pouco atraentes para proporcionar a necessária aderência aos tratamentos e aquisição de benefícios a longo prazo, o que justifica a busca por novas estratégias.

O Pilates atualmente é uma modalidade que vem sendo disseminada para o tratamento das DCNT21 e pode ser uma alternativa eficaz no tratamento da disfunção erétil, pois, além do condicionamento físico e benefício cardiovascular, pode promover fortalecimento dos músculos do períneo 27, os quais atuam no mecanismo de ereção.

Disfunção erétil e doença cardiovascular

O sistema de ereção está intimamente ligado ao sistema cardiovascular e em condições normais ocorre quando há incremento da atividade parassimpática resultando no relaxamento do tecido erétil, permitindo a dilatação ativa das artérias do pênis, arteríolas, sinusoides e, finalmente, aumentando o influxo arterial e compressão passiva do pênis.

A função erétil depende do suprimento de sangue das artérias pudenda interna, sendo que o aumento substancial nestas artérias resulta em incremento das pressões penianas, que são comparadas com níveis arteriais sistêmicos.

As doenças cardiovasculares e DE apresentam fatores de risco comuns (hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo). Nas doenças cardiovasculares ocorre processo patológico responsável por afetar o funcionamento dos sistemas vascular e venoso, influenciando negativamente a função erétil.

Associação DE x DC

Estudo realizado com 40 pacientes cardiopatas demonstrou a associação entre disfunção erétil e a presença de doença cardiovascular, bem como uma relação entre a gravidade da DE e do número de artérias coronárias acometidas pela aterosclerose.

No Massachusetts Male Aging Study (MMAS). A DE estava presente em 60% dos homens com níveis elevados de colesterol. Cerca de 90% deles o estudo doppler detectou alterações artérias penianas. Do ponto de vista clínico, sinais evidentes de aterosclerose estiveram associados em aproximadamente 40% dos casos de DE em homens com idade igual ou superior a 50 anos.

A alteração do desempenho sexual muitas vezes está associada à intolerância aos esforços por angina e a fatores psicológicos. Dentre eles, o medo de complicações cardíacas durante o ato sexual. Isso faz com que um número considerável de cardiopatas não retorne à atividade sexual após a ocorrência da doença, influenciando diretamente na qualidade de vida.

A atividade física habitual em níveis elevados é capaz de diminuir o risco de infarto agudo do miocárdio e morte súbita durante a relação sexual. Ao mesmo tempo possui forte correlação entre níveis elevados de atividade física e melhor aptidão física com menor risco de desenvolvimento disfunção erétil.

Exercício e função erétil

Em pacientes cardiopatas, ensaio clínico randomizado desenvolvido por Belardinelli et al. (2005). com portadores de insuficiência cardíaca congestiva, verificaram que após 12 semanas de treinamento aeróbico. o grupo de pacientes submetido ao programa de exercício físico obtiveram melhora em três domínios da função sexual: (função erétil, desejo e satisfação geral). Quando comparados ao grupo-controle (sem exercício), levando a uma melhora na disfunção erétil, decorrente da prática de exercício.

Kalka et al. (2009) verificaram em estudo, com amostra composta de 98 pacientes submetidos a seis meses de programa de reabilitação cardíaca. Após o período de intervenção estes obtiveram melhora nas categorias de disfunção erétil, migrando para categorias de menor severidade.

A base fisiológica do exercício físico no tratamento da disfunção erétil está relacionada com as alterações bioquímicas, neurais e hormonais nas paredes dos vasos sanguíneos que induzem ao relaxamento dos vasos a curto e longo prazo.

A atividade física regular

É uma boa estratégia não farmacológica no combate à disfunção erétil, pois controla a formação de radicais livres e aumenta a biodisponibilidade de óxido nítrico. já que o estresse oxidativo pode causar danos celulares irreversíveis e morte celular colaborando para a disfunção erétil.
O shear stress induzido pelo exercício físico é um poderoso estímulo liberador de vasorrelaxantes produzidos pelo endotélio vascular. Óxido nítrico (NO), por exemplo é liberado. O exercício físico parece ter efeito protetor na integridade do endotélio. Aumenta a produção de NO em vasos com endotélio íntegro, e restaura a disfunção endotelial.

Diante do exposto, o exercício físico regular se destaca como estratégia a ser considerada no tratamento da disfunção sexual, dentre outras razões por aprimorar o metabolismo oxidativo considerado o principal mediador da função sexual.

Método Pilates 

O método Pilates vem demonstrando impacto positivo na composição corporal, respostas cardiovasculares da frequência cardíaca e qualidade de vida.

Em ensaio clínico randomizado desenvolvido por Pestana et al. com 78 idosos saudáveis, foi observado após 20 semanas de intervenção que o grupo submetido a intervenção através do método Pilates. Obteve melhora significativa nos índices de massa corporal e circunferência abdominal comparado ao grupo-controle submetido á exercícios resistidos.

No Brasil demonstra o interesse de pesquisadores na busca de evidências do método Pilates aplicado em cardiopatas. Em estudo randomizado realizado em pacientes com ICC, Guimarães et al. (2012) verificaram que. Após 16 semanas de intervenção substituindo os exercícios resistidos tradicionais dos programas de reabilitação cardíaca pelo método Pilates houve melhora significativa: No tempo de exercício, semelhante ao grupo-controle (programa de reabilitação convencional). Ressaltaram ainda que o grupo intervenção apresentou melhora significativa da ventilação, VO2 pico, e oxigenação comparado ao grupo-controle.

Os exercícios realizados com a contração do assoalho pélvico  promove melhoras significativas na força destes músculos. Além de benefícios no sistema cardiovascular, sendo estes benefícios susceptíveis a persistirem ao longo do tempo.

Fortalecimento de períneo e função erétil

A maioria das artérias, veias e nervos entram e deixam o pênis através do períneo. Pela grande quantidade de estruturas que passam por este músculo que apresenta alta sensibilidade, ao mesmo tempo, a estimulação deste músculo pode levar ao aumento da circulação peniana.

As fibras anteriores do músculo bulbo esponjoso, que circundam a parte mais proximal do corpo do pênis, também auxiliam a ereção, aumentando a pressão sobre o tecido erétil na raiz do pênis. Simultaneamente, comprimem a veia dorsal profunda do pênis, impedindo a drenagem venosa dos espaços cavernosos e ajudando a promover o aumento e o tugor do pênis.

Os músculos isquiocavernosos circundam os ramos da raiz do pênis. Eles forçam o sangue através dos espaços cavernosos nos ramos para as partes mais distais dos corpos cavernosos. Aumenta-se o turgor (distensão firme) do pênis durante a ereção. Esta contração também comprime as tributárias da veia dorsal profunda do pênis, assim restringindo a saída de sangue venoso do pênis e ajudando a manter a ereção.

Devido a sua função durante a ereção, e suas atividades durante a micção e ejaculação, os músculos perineais geralmente são mais desenvolvidos em homens do que em mulheres 50, merecendo forte atenção.

O papel do músculo perineal no mecanismo de ereção ainda está aberto para debates. No entanto, estudo realizado por Kampen (2003) em indivíduos com DE após quatro meses de tratamento fisioterapêutico utilizando exercícios de contração perineal, biofeedback e eletroestimulação perineana, observou que todos os indivíduos do sexo masculino apresentaram recuperação.

CONCLUSÃO

O método Pilates, considerado uma modalidade alternativa de atividade física, se mostra eficaz na melhora da aptidão cardiorrespiratória de cardiopatas. Ao mesmo tempo, é evidente sua forte correlação com o fortalecimento dos músculos perineais. Algo relevante para promoção e/ou manutenção de uma ereção peniana satisfatória nesta população. Há uma carência de estudos que investiguem a influência da contração perineal, associada ao Pilates na manutenção da função erétil.

Outro fator que deve ser levado em consideração é o número de pacientes cardiopatas  encaminhados aos Studios de Pilates. Indicação de médicos cardiologistas, com intuito de promover a aderência à programas de atividade física. Por conta disso, é de fundamental importância o conhecimento sobre a existência da disfunção sexual em portadores de doenças cardiovasculares para auxílio no tratamento adequado, promovendo melhora da qualidade de vida destes indivíduos.

Artigo Escrito por

Camilo Barbosa Junior Crefito3 150302-F
Fisioterapeuta, Especialista Fisiologia do Exercício, Especialista em Reabilitação Aplicada ao Esporte (Unifesp), Pós-graduando em Formação Docente no Ensino Superior. Possui diversos Cursos de Pilates (Completo, Avançado em Suspensão, Patologias, Gestação, Alongamento Consciente, Atualização em Pilates) total de 14 cursos. Pesquisas e áreas do conhecimento em Reabilitação, biomecânica e Pilates – Coluna, Ombro e Quadril. Ministrante de Cursos de Pilates Completo e Avançado em Patologias Ortopédicas desde 2010.
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