Dependência Química e o Pilates

Dependência Química e o Pilates

Dependência Química e o PilatesA dependência química e o pilates ou qualquer outra atividade física pode ser um fator ou item indispensável na recuperação de pacientes vitimas dessa doença.

A dependência tem se mostrado um transtorno de saúde pública ao redor do mundo. Mesmo que seja um problema antigo, somente no último século é que tem recebido maior enfoque nas discussões no meio acadêmico, político e na comunidade em geral, o que resulta em estratégias para intervenção. Porém, um dos principais problemas é a não adesão dos dependentes (Crives, 2003).

As consequências negativas ficam nítidas nas relações familiares, no trabalho, nos vínculos afetivos, em situações corriqueiras do cotidiano (como no trânsito) e até em outros contextos de saúde pública, como no aumento de casos de infecção por HIV.

Percebem-se diferentes estágios na modelagem desse comportamento, assim como nas complicações decorrentes do uso contínuo de uma droga, influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais que devem ser considerados na elaboração dos cuidados terapêuticos, incluindo tratamentos ambulatoriais, terapêuticos, de internações breves ou longas, dentre outros.

É necessária, para além das intervenções farmacológicas, a inclusão de estratégias comportamentais, sociais e laborais (Scaduto, 2009).

Drogas Mais Usadas

Em meio às várias drogas disponíveis atualmente, as mais usadas são o tabaco, o álcool e a cocaína. Essa pode ser encontrada na sua forma pura ou derivada, usada por via nasal, intravenosa ou pulmonar, como o crack.

Estudos e levantamentos feitos entre estudantes nas capitais dos estados brasileiros, desde 1997, apontam que o uso de álcool na vida foi de 54,3% entre os adolescentes de 12-17 anos e de 78,6% entre os jovens de 18 a 24 anos, 5,7% dos entrevistados entre 12-17 anos apresentaram algum problema associado ao seu uso, na faixa de 18-24 anos esse percentual sobe para 12% (Brasil, 2007).

Os efeitos negativos dessa pandemia têm desestruturado as bases da sociedade, ameaçado os valores humanos, econômicos e culturais, infligido prejuízos consideráveis pelos gastos no combate ao tráfico e no tratamento dos usuários, além do impacto na saúde e na qualidade de vida da sociedade (Brasil, 2011).

Exercício Físico (Pilates Ex)

Por efeitos diretos, como a redução da gordura corporal e dos níveis de colesterol e a melhoria cardiorrespiratória, ou indiretos, como a melhoria na autoestima e na sensação de bem-estar, com redução de sintomas depressivos os exercícios físicos tais como Pilates, Yoga, musculação, lutas, corridas são um grande aliado ao combate da dependência química e o Pilates pode ser uma das técnicas.

Especificamente nos problemas de saúde relacionados ao uso de drogas, o exercício físico estimula a liberação de substâncias neurotróficas, propicia melhoria funcional do sistema nervoso e até mesmo sensações de prazer e relaxamento, interfere de maneira positiva na prevenção e no tratamento da dependência (Abu-Omar; Rutten; Lehtinen, 2004; Brum, 2004; Mialick; Fracasso; Sahdm, 2010).

O Pilates e outras atividades físicas tem sido proposto como adjuvante no tratamento da dependência de drogas lícitas e ilícitas, complementa abordagens psicoterapêuticas e farmacológicas tradicionais.

Assim, representa um incremento significativo nas possibilidades para abordagem e tratamento, torna-se alvo de interesse de pesquisadores que buscam a compreensão das bases fisiológicas para sua inclusão terapêutica, de forma segura, com vistas à redução das alterações neuroquímicas, do desejo e da compulsão pelo uso (fissura), dos distúrbios do humor e da cognição, bem como dos níveis de estresse e das dificuldades para relacionamento social e afetivo decorrentes do uso de drogas.

Pesquisas sobre o Assunto

Um trabalho realizado por pesquisadores brasileiros das Universidades Federais de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, apresentou melhoras significativas em alguns aspectos estudados, tais como diminuição do estresse, diminuição do desejo do uso de drogas, melhora do humor, dentre outros aspectos analisados.

O desempenho dos voluntários no teste de cancelamento de números, verificou-se uma redução de 31,7% do tempo para realização da tarefa no momento pós-exercício físico em relação à avaliação pré-exercício físico, o que demonstra a eficiência aguda da intervenção na capacidade de atenção.

Em relação ao desejo de usar drogas, os participantes indicaram um nível relativamente baixo para o desejo de usar drogas e eventualmente o negaram.

Corroborando com achados de Taylor, (2007) que demonstrou que a prática de exercícios aeróbios é capaz de reduzir a vulnerabilidade à recaída, por reduzir o desejo de consumir cocaína, especialmente pela redução no prejuízo funcional do córtex pré-frontal, observado no período agudo de abstinência. Essa modulação neurofuncional pode estar relacionada à liberação de dopamina, serotonina, peptídeos opioides e cortisol, durante e imediatamente após exercícios físicos, o que resulta na redução do desejo de usar drogas.

Na avaliação do estado de humor, foi observada redução significativa nos aspectos de tensão e vigor pós-EF. Esse último era um efeito esperado, em especial para iniciantes da prática de exercícios físicos. A redução na sensação de tensão é um resultado positivo e possivelmente colabora na redução no desejo de usar drogas.

Foi observada uma interferência positiva do exercício físico no estado emocional e cognitivo, o que corrobora a tese de que sua prática é uma estratégia potente para reabilitação de doentes crônicos, inclusive de dependentes de drogas.

O corpo é capaz de se adaptar ao estresse provocado pelo exercício físico por meio de ajustes metabólicos, coordenados pelos sistemas nervoso e endócrino, necessários para o equilíbrio funcional (Ament, 2009).

Ocorre a liberação de substâncias como catecolaminas, endorfinas, anandamida e fatores neurotróficos, o que proporciona um estado de ativação geral com posterior relaxamento acompanhado de sensações de bem-estar e prazer (Kwon, 2013).

Importante Saber

A variação da sobrecarga fisiológica em termos de intensidade e duração deve ser baseada na capacidade física do indivíduo, respeitar sua individualidade biológica, para atingir os efeitos positivos sem agravar outras condições clínicas presentes.

É importante ressaltar que ao longo do desenvolvimento da dependência há um processo, desde a fase inicial, que submete os indivíduos a limitações sociais, cognitivas, emocionais e fisiológicas, caracterizada pela perda progressiva de se adaptar e responder a sobrecargas físicas, cognitivas e emocionais, que reduzem também os cuidados com a saúde e aumenta a exposição e susceptibilidade a doenças crônicas. (Roberts & knobb, 2007).

Referências

Ament e Verkerke, 2009 Ament W, Verkerke GJ. Exercise and fatigue. Sports Medicine. 2009;39(5):389-422.

Kwon et al., 2013 Kwon DH, Kim B-S, Chang H, Kim Y-I, Jo SA, Leem Y-H. Exercise ameliorates cognition impairment due to restraint stress-induced oxidative insult and reduced BDNF level. Biochemical and Biophysical Research Communications. 2013;434:245-51.

Roberts e Koob, 1997 Roberts AJ, Koob GF. The neurobiology of addiction: an overview. Alcohol Health Res World. 1997;21(2):101-16.

Brasil, 2011 Brasil. Ministério da Justiça. Secretaria Nacional Antidrogas. Prevenção ao uso indevido de drogas: capacitação para conselheiros e lideranças comunitárias. 4ª ed. Brasília: Senad; 2011.

Ferreira SE, Santos AKM, Okano AH, Gonçalves BSB, Araujo JF. Acute effects of physical exercise in addiction treatment. Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.39 no.2 Porto Alegre abr./jun. 2017.

 

Artigo escrito por:

Camilo Barbosa Junior Crefito3 150302-F
Fisioterapeuta Esportivo da HWT Sports, Especialista Fisiologia do Exercício, Especialista em Reabilitação Aplicada ao Esporte (Unifesp), Especialista em Pilates, Pós-graduando em Formação Docente no Ensino Superior.

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